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Amesterdão - Suave melancolia em cada entar

Eterna capital social que não política, símbolo de uma geração de sonho acabada em doce e agreste realidade, a pequena cidade dos canais esconde pequenos tesouros em cada café de final de século, em cada murmurar da água sempre presente, em cada jardim ou pátio no curto verão que se aproxima com certa timidez.
Dotada de uma beleza suave e pouco espalhafatosa, melancolia tranquila de um país que se sabe rico e progressista, Amesterdão deixa-se ficar num sono letárgico de anti-convencionalismos, em pedidos sem sentido, em batalhas do quotidiano cujos vencedores se anunciam tarde por entre a bruma misteriosa do destino.
São manhãs cinzentas em que a humidade dos dias causa uma alegria distinta, são os passeios por ruas desertas ao som das bicicletas e da cacofonia de línguas dos eternos passantes, é o doce entardecer num café inumerável com histórias para contar.
Mas são também as descobertas dos tesouros artísticos em cada rua empedrada, em cada memória que incendeia o coração, em cada sorriso perfeito num rosto pálido e afável, azul profundo nos olhos da alma. É o passeio por casas patrícias e canais eternos, pelos museus que escondem mestres em todas as áreas, poesia em cada momento em que a chuva ameaça, e em que o desejo de ficar permanece.
É a passagem doce e grave da tranquilidade, do bucólico dos almoços tardios em barcos de amigos ancorados na memória de poucos, no calor de uma camisola de marinheiro a cada arrepio de um frio súbito e atraente.
E é o sentir do quotidiano de uma cidade, dos sons e cheiros de cada Sábado no Noorden Markt por entre o rodopio de produtos da terra, gritos e risadas fortes ao ritmo apressado do tempo, vozes que perdemos no tempo e recordamos com o sabor quente de uma Appel Taart e de um Koffie Verkeerd no terraço do Café de Jaren.
É a alegria do momento fugaz e de uma carta que se escreve e não se envia, missiva de uma viagem que se quer para sempre e com poucos se partilha.
Aproveita então para ver aquilo que preparámos para ti.

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